Dia: 30/03/2026

Reconstrução mamária e identidade: a medicina a serviço da autoestima após o tratamento oncológico

Mastite consultas Dra Carolina Malhone
O fim do tratamento oncológico é, para muitas mulheres, o início de uma jornada silenciosa e solitária. O alívio de ouvir a palavra “cura” ou “remissão” frequentemente vem acompanhado de um estranhamento profundo diante do espelho. A mastectomia, embora seja um recurso vital e heroico no combate ao câncer de mama, deixa uma marca que transcende a cicatriz na pele; ela toca na percepção de feminilidade, na sexualidade e na própria identidade. É comum que, durante a batalha contra o tumor, a prioridade absoluta seja a sobrevivência. No entanto, quando a poeira baixa, a ausência da mama pode se tornar um lembrete constante de um período traumático.

A medicina moderna entende que tratar o câncer não se resume a extirpar células malignas, mas sim a devolver à paciente a sua integridade. É aqui que a reconstrução mamária deixa de ser vista como um procedimento estético para ser reconhecida como uma etapa essencial da reabilitação oncológica. A técnica a serviço da subjetividade Hoje, a integração entre a mastologia e a cirurgia plástica — o que chamamos de oncoplastia — permite que o planejamento da reconstrução comece antes mesmo da retirada do tumor. Em muitos casos, conseguimos realizar a reconstrução imediata, onde a paciente já acorda da cirurgia com o volume mamário preservado ou restaurado. Lembro-me de uma paciente, chamaremos de Helena, que aos 42 anos enfrentou uma mastectomia radical.

O maior medo dela não era a quimioterapia, mas a sensação de que “nunca mais seria a mesma mulher para o marido ou para si mesma”. Optamos por uma reconstrução com retalho do músculo grande dorsal combinada com um expansor de tecido. Meses depois, ao finalizar a simetrização da mama oposta e a reconstrução do complexo aréolo-papilar, o relato dela não foi sobre a perfeição técnica da cicatriz, mas sobre o prazer de conseguir comprar um sutiã novo sem sentir que estava escondendo uma “falha”.

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